“O título Psicologia do Animus tem duplo sentido. Pode ser entendido no sentido do genitivus objectivus (ensino psicológico sobre o objeto particular “animus”), mas também no sentido do genitivus subjectivus (psicologia inspirada no “animus”, também psicologia no espírito do “animus”, psicologia que considera o “animus” não apenas como um de seus objetos a ser observado nas pessoas ou nos produtos da alma, como os sonhos, mas também o deixa entrar em sua própria consciência, ou seja, na concepção de si mesma ou na sua abordagem). A ambiguidade é intencional. A alternativa entre a pesquisa empírica sobre objetos e a teoria acima ou abaixo daquilo que se aplica às ciências, perde a essência da psicologia.
Nosso objeto é o animus. De acordo com o que foi dito, porém, ele o é de tal maneira que o que nos é mostrado nele como fatos individuais sempre se reflete, ao mesmo tempo, na autocompreensão e nas “categorias” da psicologia com as quais ela apreende os fatos e, ao contrário, aquilo que pode ser dito sobre a abordagem ou horizonte intelectual da psicologia coloca o animus sob uma certa luz.
Afinal, a intenção não é apresentar descobertas e resultados imediatamente. Pelo contrário, trata-se de refletir sobre como se deve pensar o animus e a psicologia; trata-se de elaborar algo como categorias, critérios, horizontes para a questão do animus em primeiro lugar.
O animus não é apenas assunto negligenciado na psicologia, mas a própria psicologia junguiana não se inspira e se deixa guiar muito pelo animus em seu estilo de abordagem, no seu enfoque, em seus pensamentos. O animus continua a fazer parte do ensino, localiza-se animus nas pacientes e nelas ele deve ser tratado, diferenciado e apreendido por elas em sua consciência, enquanto a psicologia, em suas próprias ações e condutas, não se preocupa com o desenvolvimento de seu “próprio” animus. Surge, então, a questão se é melhor ele estar atribuído às mulheres do que se ele estivesse na própria psicologia, se as mulheres podem realmente ter sucesso em “desenvolver” o animus, se a psicologia, dentro de cujos moldes o desenvolvimento deve ocorrer, não executou esta tarefa e continua a rejeitá-la. O animus tem a ver com logos, ou seja, com lógica e o pensamento.
Se o próprio conceito de pensamento é confuso na psicologia, como o animus, como figura arquetípica a cuja jurisdição pertence o pensamento, poderia ser adequadamente apreciado?”
Psicologia do Animus (Wolfgang Giegerich)
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Andre Dantas
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Sonia Marchi de Carvalho
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