“No mundo psíquico não há corpo movendo-se através do espaço, também não há tempo. O mundo arquetípico é “eterno”, isto é, fora do tempo, e está em toda parte, pois não existe espaço sob condições psíquicas, isto é, arquetípicas” – Cartas. C.G. Jung (Vol. 2, p. 220).
Aparentemente, o nosso Congresso está “atrasado” em dois anos porque foi atingido frontalmente, como as demais atividades do nosso tempo, pela ocorrência da pandemia de COVID-19. Entretanto, o tema se manteve e nos convida a “atualizá-lo” compreendendo as mais diversas áreas do saber humano e, em especial, da Psicologia Analítica de C. G. Jung.
No mundo psíquico não há matéria, porém, é possível reconhecer as suas dimensões temporais – passado, presente e futuro – e, suas manifestações materiais visíveis e invisíveis. Isto nos convoca a considerarmos a relação com a eternidade e a nossa vida presente quanto a consciência coletiva e o inconsciente coletivo.
Nesses tempos em que a consciência coletiva domina, a massificação e a perda do livre arbítrio revelam a natureza do espírito insaciável da época. Por outro lado, se a consciência é inundada pelo inconsciente coletivo perdemos nosso ponto de vista consciente. O que pode ser concluído é que existe a real necessidade de uma diferenciação dos dois aspectos coletivos da psique.
Essa maneira de conceber o trabalho psíquico gera um campo de intensidade, uma energia criativa que impulsiona o indivíduo em sua jornada de individuação que se atualiza a cada instante. Para entrar em contato com o inconsciente é necessário objetivar seus conteúdos eternos ou reconhecê-los no aqui e agora, ou seja, validar a experiência do corpo como manifestação exterior da vida do espírito. Ao mesmo tempo, faz-se necessária a distinção entre o tempo circunstancial, do Kronos, e a dimensão atemporal, do Kairós. Por exemplo, nos relatos mitológicos, nas dimensões espirituais, na arte pode-se experienciar a atemporalidade, enquanto que nos experimentos científicos, na economia, nas atividades tecnológicas predomina o reino cronológico. Neste sentido, a dinâmica dos conteúdos psíquicos em relação aos “deuses do tempo” nos convidaria a pesquisar também, as relações humanas com outras áreas, como: a física (clássica e quântica), ecologia, política, educação, eventos acausais (sincronicidade), comunicação, ciência tecnológica, corporalidade.
Em “Tempo”, nosso Congresso, poderemos nos aproximar vivencialmente de algumas dessas dimensões do tempo.
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“In the psychic world there is no body moving through space, nor is there time. The archetypal world is “eternal”, that is, outside of time, and is everywhere, for there is no space under psychic, that is, archetypal conditions” – Letters. GC Jung (Vol. 2, p. 220).
Apparently, our Congress is “delayed” by two years because it was hit head-on, like other activities of our time, by the occurrence of the COVID-19 pandemic. However, the theme remained and invites us to “update” it, understanding the most diverse areas of human knowledge and, in particular, of C. G. Jung’s Analytical Psychology.
In the psychic world there is no matter, however, it is possible to recognize its temporal dimensions – past, present and future – and its visible and invisible material manifestations. This calls us to consider the relationship with eternity and our present life as the collective consciousness and the collective unconscious. In these times when the collective conscience dominates, massification and the loss of free will reveal the nature of the insatiable spirit of the time. On the other hand, if consciousness is swamped by the collective unconscious, we lose our conscious point of view. What can be concluded is that there is a real need for a differentiation of the two collective aspects of the psyche.
This way of conceiving psychic work generates a field of intensity, a creative energy that drives the individual on his journey of individuation that is updated at every moment. In order to get in touch with the unconscious, it is necessary to objectify its eternal contents or recognize them in the here and now, that is, to validate the experience of the body as an external manifestation of the life of the spirit. At the same time, it is necessary to distinguish between the circumstantial time, of Kronos, and the timeless dimension, of Kairós. For example, in mythological accounts, in spiritual dimensions, in art, timelessness can be experienced, while in scientific experiments, in economics, in technological activities, the chronological realm predominates. In this sense, the dynamics of psychic contents in relation to the “gods of time” would invite us to also research human relationships with other areas, such as: physics (classical and quantum), ecology, politics, education, acausal events (synchronicity) , communication, technological science, corporeality.
In “Time”, our Congress, we will be able to experience some of these dimensions of time.