A experiência na clínica nos revela que se os loucos acreditam nos seus delírios isso não é um privilégio da sua condição psicótica, ou seja, os neuróticos, muitas vezes, também acreditam em suas fantasias de forma quase delirante. Afinal, o que separa a experiência psicótica da condição neurótica? Mais ainda, o que é necessário para que possamos reconhecer que nos tornamos loucos ou não? Se a loucura é uma possibilidade de existir sustentada em um universal arquetípico, é importante ressaltar que ela está sempre envolta em parangolés particulares criados pelo sujeito a partir do que ele pode reunir e costurar do tecido social e cultural que atravessa sua subjetividade. Tornar-se louco no Brasil há muito deixou de ser uma metáfora mal arranjada para se tornar uma realidade psíquica presente em muitas esquinas da vida anímica do país. Existe uma forma específica de enlouquecer no Brasil como modalidade idiossincrática de individuar e fazer alma em terras tropicais? Se a loucura é, de modo radical, uma questão com o Outro, resta-nos indagar: como se enlouquece no Brasil em pleno século XXI?
Este seminário pretende circular entre estas questões a partir da perspectiva junguiana, pós junguiana e da psicologia arquetípica. Nosso texto inaugural será o livro “Paranoia” de James Hillman pois a paranoia é mais contagiosa das doenças mentais como nos ensina Luigi Zoja, analista junguiano italiano. A seguir avançaremos nos textos de Jung, Nise da Silveira e outros pensadores culminando com uma análise cuidadosa e detalhada sobre a obra e a vida de Artur Bispo do Rosário que, para nós, exemplifica como a experiência da arte pode funcionar como efeito de estabilização para a individuação na loucura.
Madness and Individuation in Brazil
Clinical experience reveals that if those experiencing madness believe in their delusions, this is not a privilege exclusive to the psychotic condition; neurotics also often believe in their fantasies in an almost delusional way. After all, what separates the psychotic experience from the neurotic condition? Furthermore, what is necessary for us to recognize whether we have become “mad” or not?
If madness is a possibility of existence sustained by an archetypal universal, it is important to emphasize that it is always wrapped in particular “parangolés” (informal creative structures) created by the subject from what they can gather and sew from the social and cultural fabric that traverses their subjectivity. Becoming “mad” in Brazil has long ceased to be a poorly arranged metaphor to become a psychic reality present in many corners of the country’s soul life. Is there a specific way of going mad in Brazil as an idiosyncratic modality of individuating and “making soul” in tropical lands? If madness is, radically, a question involving the “Other,” it remains for us to ask: how does one go mad in Brazil in the middle of the 21st century?
This seminar intends to circulate among these questions from Jungian, post-Jungian, and archetypal psychology perspectives. Our inaugural text will be the book Paranoia by James Hillman, as paranoia is the most contagious of mental illnesses, as taught by Italian Jungian analyst Luigi Zoja. Following this, we will advance through texts by Jung, Nise da Silveira, and other thinkers, culminating in a careful analysis of the life and work of Artur Bispo do Rosário, who exemplifies how the experience of art can function as a stabilizing effect for individuation within madness.
Registration: lapaarquetipica@gmail.com
Dates:
Group A: Feb 6, Mar 6, Apr 10, May 8, Jun 12, Jul 3.
Group B: Feb 20, Mar 13, Apr 17, May 15, Jun 19, Jul 10.
Group C: Feb 27, Mar 20, Apr 24, May 22, Jun 26, Jul 17.

